Cantoria e Musicologia no Acervo Inezita Barroso

Figura essencial da cultura brasileira, Inezita Barroso (1925–2015) construiu, ao longo da vida, pontes entre a tradição popular e o meio acadêmico. Cantora, atriz, professora e pesquisadora, dedicou-se a registrar e divulgar os modos de vida do interior do Brasil, em verso, prosa e prática cotidiana.

Seu acervo, agora disponível no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, revela uma pesquisadora meticulosa: organizava gravações, slides e anotações com método próprio, refletindo a mesma precisão que aplicava ao palco e à sala de aula. Essa exposição celebra a chegada desse conjunto valioso, que amplia o acesso a sua obra e seus temas de interesse.

De 27 de agosto a 7 de novembro, o público poderá participar de mesas-redondas, palestras, sessões de documentários e visitar a mostra de documentos e materiais originais.

Confira a programação completa abaixo.

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PROGRAMAÇÃO

27 de agosto
16h – Palestra por José de Souza Martins
18h – Abertura da exposição com apresentação de Pedro Novas Cunha Figueiredo

10 de setembro
16h – Mesa redonda, no auditório 1 (IEB)
Primeiro tema: Folclore e Cultura sertaneja por Maria Laura Cavalcanti (Rio de Janeiro)
Segundo tema: Pesquisa e cantoria por Priscila Ribeiro (São Paulo)
Moderadora: Flávia Toni

12 de setembro
16h – Mesa redonda, no auditório 1 (IEB)
Tema: nos bastidores dos programas e do acervo.
Por: Aloísio Milani (São Paulo), Alexandre Pavan (São Paulo) e Elisabete Ribas (São Paulo)

17 de setembro
16h – Exibição, no auditório 1 (IEB)
Documentário: Pedro Vaz

26 de setembro
16h – Exibição do filme “Mulher de verdade”, no CINUSP

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SOBRE INEZITA BARROSO

Inezita Barroso nasceu em 4 de março de 1925, filha de Olinto Aires de Lima e Inês Aranha de Lima, e faleceu em 2015, após estabelecer vínculos afetivos com diversas gerações de brasileiros e brasileiras. Ao longo da vida, dedicou-se a cantar e contar, em verso e prosa, as histórias do interior do Brasil, contribuindo para a valorização da cultura popular. Desde a infância, quando estudava piano e violão, já manifestava interesse tanto pela música quanto pela pesquisa. A sistematização do conhecimento, no entanto, se consolidou com a formação em Bibliotecologia, concluída em 1946 na Universidade de São Paulo, e com o desenvolvimento de métodos próprios de organização de dados.

Sua carreira artística teve início profissional em 1952, na Rádio Nacional de São Paulo. Em 1961, em entrevista a Mauro Lamotta, afirmou que cantava músicas do folclore não apenas como profissão, mas como forma de expressar sentimentos inatos. Além da atuação como cantora, Inezita esteve presente em rádios, ministrou aulas, deu palestras e organizou cuidadosamente seu trabalho de campo. Utilizava cadernos específicos para cada tipo de material, como fitas k7 — onde registrava título, autor, duração, intérpretes, numeração e lado — e slides, anotando número e conteúdo de cada diapositivo. Um exemplo é a caixa de número 18, de 1972, com 132 slides contendo cenas de Lindoia, Brasília, Paquetá, São Paulo, festas populares e monumentos.

Atenta também à rotina burocrática, identificava-se em comunicações como cantora, pesquisadora e professora de folclore. Se sua voz e repertório já eram conhecidos do grande público, agora, com a chegada de seu acervo ao Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, torna-se possível conhecer com mais profundidade seus interesses de pesquisa, o material de aula e os registros de campo.