No dia 25 de setembro de 2026, às 13h00min, será realizada a Defesa de Dissertação de Mestrado do pós-graduando Ariel Torres Fagundes, sob a orientação do Prof. Dr. Tiganá Santana Neves Santos, intitulada: “Memórias e cantorias nas rodas-quilombo:os cantos da maconha no Maranhão, Amazonas, Alagoas e Sergipe (anos 1860-1983)”
Resumo: O registro de duelos poéticos em rodas de fumo de maconha remonta à década de 1860, segundo se depreende do relato de Rodrigues Dória (1958), responsável pelo primeiro artigo científico sobre a planta no Brasil. Entre 1918 e 1983, ao menos oito pesquisadores registraram transcrições inéditas dos repertórios poético-musicais entoados por fumantes no Maranhão, Amazonas, Alagoas e Sergipe. A compilação desse material compreende 88 estrofes de um acontecimento cultural multifacetado, mas com conexões evidentes em suas rimas e cerimoniais, algo que busquei classificar como cantos da maconha. Nesta pesquisa, analiso o material reunido a partir de um viés multidisciplinar, com base em uma série de referenciais históricos, linguísticos, antropológicos, entre outros, examinando seus temas centrais e mapeando as peculiaridades de seu vocabulário próprio. A partir daí, emergem paralelos com o universo da cantoria nordestina, bem como com tradições de fumo coletivo documentadas no século XIX na região de Congo-Angola. Destacando as recorrências etimológicas nos versos, apontando para idiomas como o kimbundu, o kikongo, o umbundu e o iorubá, além da deliberada desobediência civil inerente às práticas que se perpetuaram apesar das subsequentes proibições ao vegetal no Brasil, chega-se à noção de que as rodas de fumo nacionais poderiam ter exercido um papel de rodas-quilombo, enquanto espaços de acolhimento mútuo e de manifestação da insubmissão à norma de raiz escravocrata. Os cantos da maconha são vistos aqui como obras de comunidades que mantiveram, de geração em geração, arquivos orais e modos de sociabilidade próprios do que classifico como usos comunitários da erva, classificação que proponho para distingui-los das outras utilizações ligadas aos princípios ativos da Cannabis (uso medicinal, uso ritualístico e uso cotidiano). Mais do que meros passatempos, são analisados enquanto jogos de linguagem capazes de agenciar, no refino da técnica e da estética, memórias e saberes, fantasias e transcendências.
Onde: Sala 7, 2º andar do IEB



