Movimentos estudantis através do Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros (1920-1970)

Apresentação

No ano em que relembramos os cinquenta anos de 1968, data marcada pela erupção de movimentos estudantis em todas as esferas da vida social, nos perguntamos por que não, ao contrário do que se propõe, voltarmos a aproximadamente cem anos no passado? Não pretendemos encontrar uma origem, como faziam os positivistas, mas sim desedificar um objeto de estudo nascido em 1964 e morto em 1968, arco temporal privilegiado nos estudos sobre movimento estudantil no Brasil.

Essa exposição foi criada no intuito de difundir o acervo documental do Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. Especializado em arquivos pessoais de intelectuais brasileiros, atualmente o acervo do Arquivo IEB soma cerca de 500 mil itens, dos quais selecionamos cerca de 40 documentos que de algum modo conectam-se à história do movimento estudantil brasileiro. Cabe explicar que a natureza dos arquivos pessoais, marcada pela errática acumulação natural dos titulares não permite, e nem é de nosso interesse, a construção de uma narrativa sincronizada aos marcos já estabelecidos. Os momentos cotidianos, passando pelos combates regionais, alcançando as lutas nacionais são mostrados, assim, em diferentes tipologias documentais: cartões-postais, cartas, recortes de jornais, panfletos e manifestos, provenientes de fundos de diferentes intelectuais: Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, Caio Prado Júnior, Ernani da Silva Bruno, Fernando de Azevedo, Graciliano Ramos e José Honório Rodrigues.