Prof. Dr. Luiz Armando Bagolin
Objetivos:
O presente curso pretende analisar algumas das produções artísticas brasileiras das décadas de 1960 e 1970, notadamente aquelas que foram frutos de um consciente engajamento político e ideológico sem deixar de mirar os pressupostos da arte internacional do Pós-Guerra.
Justificativa:
A partir do final da década de 1950, as produções intelectuais e artísticas brasileiras sofreram mudanças significativas quanto às suas funções e formas de recepção, a partir de ações que permitiram o esgarçamento da própria noção de arte e da manipulação de suas linguagens históricas. Os fatores principais para estas mudanças, entre outros, foram a rápida aceleração da urbanização no país, durante as décadas de 1960 e 1970, a ascensão das “novas” classes médias à assim chamada “indústria cultural”, o contato com as manifestações artísticas europeias e norte-americanas do pós-guerra e o inconformismo e resistência contra o estado de exceção no período do regime militar brasileiro (1964-1981).
Conteúdo:
1. O eclipse do modernismo na década de 1940 e a emergência de novas classes sociais no Brasil. O desenvolvimento urbano e dos meios de comunicação na década de 1950. O Grupo Frente e a atuação crítica de Mário Pedrosa em favor da abstração geométrica.
2. O Neoconcretismo no Rio de Janeiro, a Tropicália e a Nova Objetividade: Ferreira Gullar, Lygia Clark e Hélio Oiticica.
3. Arte Conceitual e Happenings: os limites das linguagens artísticas e as tentativas de subversão da ideia de arte como mercadoria. O Novo Realismo de Pierre Restany e o “Manifesto do Rio Negro”.
4. O movimento estudantil de maio de 1968, a “Sociedade do Espetáculo” de Guy Debord. Minimalismo, Op Art, Arte Pop inglesa e Norte-Americana e suas correspondências no Brasil: Rubens Gerchman, Carlos Zílio, Carlos Vergara, Cláudio Tozzi, Glauco Rodrigues, Escosteguy, Antonio Dias, Geraldo de Barros, Wesley Duke Lee, Grupo Rex e Escola de Arte Brasil.
5. Arte como guerrilha cultural, segundo Frederico Morais: Antônio Henrique do Amaral, Arthur Barrio, Cildo Meirelles, Waltercio Caldas, Lygia Pape, Paulo Bruscky. A charge política: O Pasquim, Henfil, Chacal e Ziraldo.
6. A institucionalização das posições pós-vanguardistas: a arte na universidade, Júlio Plaza, Regina Silveira, Donato Ferrari, Nelson Leirner. Walter Zanini, o MAC/USP e a criação da Escola de Comunicações e Artes no início da década de 1970, em São Paulo.
Forma de Avaliação:
trabalho individual
Bibliografia:
ARANTES, Otília, Favaretto, C. e Suzuki, Matinas. Arte em Revista, números 2 e 3, maio-agosto e setembro-dezembro de 1979.
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BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1974.
BUENO, Maria Lúcia. Artes Plásticas no século XX. São Paulo: Ed. da Unicamp, 1999.
CHIARELLI, Tadeu. Arte e não arte. Galeria Brito Cimino / Grupo Takano, São Paulo, 2002.
DUARTE, Paulo Sérgio. “Depois do Construtivismo: investigações e experiências” in Anos 60 – Transformações da arte no Brasil. Ed. Especial para os amigos da Rede Globo. Campos Gerais, Rio de Janeiro, 1998.
FAVARETTO, Celso. Tropicália, Alegoria, Alegria. 2a edição, Ateliê Editorial, São Paulo, 1996. ¬¬¬¬¬¬¬¬
__________________. A Invenção de Hélio Oiticica. Edusp, São Paulo, 1992.
__________________. “Deslocamentos: entre a arte e a vida”. Revista Ars, São Paulo, 9 (18), 2011.
__________________. “Inconformismo Estético, inconformismo social: Hélio Oiticica. Revista Educação e Filosofia, Uberlândia, volume 4, ed. 8, 1990.
FERRO, Sérgio. “Depoimento” (1966). Publicado em Arte em Revista no 2, São Paulo, 1979.
GULLAR, Ferreira. Vanguarda e subdesenvolvimento. Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1978.
HERKENHOFF, Paulo e outros. Cildo Meireles. Cosac e Naify. São Paulo, 2000.
LEIRNER, Nelson. Arte fora de moda. Entrevista. Revista Bravo, ano 5, novembro de 2001.
MORAIS, Frederico. “Vanguarda brasileira: caminhos e situações”. Revista Vozes, Jan-Fev, 1970.
______________. “Prefácio”. In Anos 60: A volta à Figura. Marcos históricos. Galeria Itaú, São Paulo, 1994.
______________. Revista Vozes: “Vanguarda brasileira: caminhos & situações”, ano 64, jan/fev 1970. In Publicação sobre arte brasileira do BANERJ – Banco do Estado do Rio de Janeiro, 1986.
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OITICICA, Hélio. Aspiro ao Grande Labirinto. Rocco, Rio de Janeiro, 1986.
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______________. Política das Artes. Textos Escolhidos I. Otília Arantes (org). EdUSP, São Paulo, 1995.
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ROLNIK, Suely. O corpo vibrátil de Lygia Clark. Jornal Folha de S. Paulo, Caderno Mais! p. 14, 30 de abril de 2000.
SCHWARZ, Roberto. “Cultura e política no Brasil: 1964-1969”, in Pai de família e outros ensaios. Ed. Paz e Terra, 1978.
Idiomas ministrados:
Tipo de oferecimento da disciplina:
Presencial



